Tem certeas coisas que só podem ser apreciadas quando você mergulha profundamente numa religião. Transcrevo abaixo um trecho de "Nosso lar", a maior obra de Chico Xavier:
"O Governador não se perturbou com a situação. Mesmo com todos sob terríveis ameaças, ele pediu para ser atendido no Ministério da União Divina e, depois de ouvir as considerações do Conselho, mandou fechar temporariamente o Ministério da Comunicação, determinou que todas as prisões da Regeneração fossem postas em funcionamento para isolamento dos mais rebeldes, advertiu o Ministério do Esclarecimento, cujo atrevimento já vinha aturando por mais de 30 anos, proibiu temporariamente o auxílio às regiões inferiores e, pela primeira vez durante sua
administração, mandou ligar as baterias elétricas das muralhas da cidade, para a defesa geral com a emissão de dardos magnéticos.- Não houve luta ou ataque na colônia, mas, sim, uma resistência decidida. Por mais de seis meses os serviços de alimentação de “Nosso Lar” foram reduzidos à inalação de princípios vitais da atmosfera, por meio da respiração, e água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos. Foi assim que a colônia ficou sabendo o que é a indignação de um espírito calmo e pacífico."
Quando li esse livro pela primeira vez, fiquei realmente impressionado com a capacidade que o Chico tinha em descrever com detalhes minuciosos o que é uma "colônia de espíritos". Sendo que eu, mesmo com toda a fé que me era possível empregar, jamais consegui ver, ouvir ou sentir nem a menor manifestação espiritual imaginável. Nunca vi nem o dedinho do pé de um espírito... nada... jamais... Daí resolvi procurar uns médiuns especialistas, pois pensei que eu pudesse ter algum bloqueio... nada... e ainda por cima os que "incorporaram" na minha frente não acertaram nada a respeito da minha vida pessoal. Tive que ceder aos fatos:
Não existe colônia espiritual equipada com armas de dardos magnéticos em cima dos muros!!!!
sábado, 5 de abril de 2008
O Altruismo cai por terra
As religiões costumam se orgulhar de seus atos altruistas, então, vamos mais uma vez derrubar mais um mito.
1- Richard Dawkins escreveu em seu livro "Gene Egoísta" a teoria de que os nossos genes são tão egoístas que eles nos levam a fazer atos de altruísmo. Sim, pode parecer um paradoxo mas não é; se você tem os mesmos genes que eu, e esses genes querem continuar existindo, então faz sentido que eu te proteja, como uma família. Taí uma explicação genética do altruismo.
2- Alguns textos de economia citam o axioma do racionalismo = egoísmo em algumas de suas teorias, o que os faz sofrerem críticas. Por causa disso o pesquisador Werner Güth inventou o Jogo do Ultimato homepage.univie.ac.at/Karl.Sigmund/SciAm02.pdf . Ele concluiu que a grande maioria das pessoas, quando joga esse jogo, escolhe uma resultado próximo de 50% de ganho para ambos os jogadores. O ser humano não tende naturalmente a ser egoísta, mesmo em um jogo que não é repetível, você não vê o competidor e nem interage com ele. Ou seja, experimentos mostram que a grande maioria das pessoas não é egoísta, nas mais diferentes culturas do mundo, independente de religião.
3- Quando um crente faz um ato de generosidade, o que ele está esperando? Ir para reino dos céus, fugir do inferno, perdão de algum pecado, a colônia espírita em vez do umbral, o paraíso das 72 virgens, ser reconhecido pelo pastor, ser admirado na igreja, mostrar que está numa situação melhor que a dos outros? Isso é altruísmo de verdade?
4- Quando você dá uma esmola, você a dá porque você se sente mal ao se imaginar na condição de necessitado?
1- Richard Dawkins escreveu em seu livro "Gene Egoísta" a teoria de que os nossos genes são tão egoístas que eles nos levam a fazer atos de altruísmo. Sim, pode parecer um paradoxo mas não é; se você tem os mesmos genes que eu, e esses genes querem continuar existindo, então faz sentido que eu te proteja, como uma família. Taí uma explicação genética do altruismo.
2- Alguns textos de economia citam o axioma do racionalismo = egoísmo em algumas de suas teorias, o que os faz sofrerem críticas. Por causa disso o pesquisador Werner Güth inventou o Jogo do Ultimato homepage.univie.ac.at/Karl.Sigmund/SciAm02.pdf . Ele concluiu que a grande maioria das pessoas, quando joga esse jogo, escolhe uma resultado próximo de 50% de ganho para ambos os jogadores. O ser humano não tende naturalmente a ser egoísta, mesmo em um jogo que não é repetível, você não vê o competidor e nem interage com ele. Ou seja, experimentos mostram que a grande maioria das pessoas não é egoísta, nas mais diferentes culturas do mundo, independente de religião.
3- Quando um crente faz um ato de generosidade, o que ele está esperando? Ir para reino dos céus, fugir do inferno, perdão de algum pecado, a colônia espírita em vez do umbral, o paraíso das 72 virgens, ser reconhecido pelo pastor, ser admirado na igreja, mostrar que está numa situação melhor que a dos outros? Isso é altruísmo de verdade?
4- Quando você dá uma esmola, você a dá porque você se sente mal ao se imaginar na condição de necessitado?
sábado, 22 de março de 2008
A invenção do Cristianismo parte 2
A tradição de Jerualém
Os estudiosos modernos começam a reconhecer a grande divisão entre o mundo dos Evangelhos e o mundo das Epístolas. Eles postualm que o que aconteceu em resposta ao "ministério de Jesus" na Galiléia ficou separado do que ocorreu em resposta à "morte" dele em Jerusalém, já que as duas tradições aparentemente não têm nada em comum. O documento que supostamente relata a carreira de pregação de Jesus nas cidades e no campo de sua província natal (o documento "Q" espalhado em Mateus, Lucas e do evangelho de Tomé), não fala nada sobre ele ir a Jerusalém ou sobre o que teria ocorrido com ele lá. Não há referência à morte e ressureição e nem à figura de Jesus no papel de salvador. No outro lado da divisão, a mensagem "kerygma" (proclamação) de apóstolos como Paulo, que andavam pelo império pregando o Filho de Deus, não fala nada do ministério na Galiléia. As epístolas de Paulo não falam nada de ensinamentos, indicação dos apóstolos, nem detalhes biográficos do Cristo Jesus. Elas focam inteiramente no Filho Espiritual e a redenção pela morte sacrifical e ressurreição. As epístolas nunca falam de um contexto histórico terreno.
Um útimo passo deve ser dado. Ambos os lados da divisão devem ser separados totalmente, e considerados como tendo sido unidos artificialmente pela primeira vez no Evangelho de Marcos.
A tradição da Galiléia
Entre Jerusalém e a Galiléia existe uma distância de somente 120km. Não muito distante para um profeta intinerante viajar, especialmente se acompanhado de um grupo de seguidores. A jornada poderia ser realizada confortavelmente em poucos dias. Mas em toda a literatura da Tradição de Jerusalémnão se encontra nenhuma menção de Jesus ter feito esta jornada. Antes dos Evangelhos terem sidos adotados como história, nenhum texto jamais menciona ele ter ido a Jerusalém.
Na Galiléia havia um movimento que pregava o reino de Deus. Uma importante parte desse relato está no antigo e perdido documento "Q", que foi extraído por estudiosos modernos dos evangelhos de Mateus e Lucas, e que também aparece no Evangelho de Tomé. No momento em que a coleção de ditos e contos do documento Q foram incluídos aos evangelhos por Mateus e Lucas em cima do texto do Evangelho de Marcos, referências a uma figura que originou os ditos e contos, fazedor de milagres e profeta apocalíptico podiam ser encontrados naquela coleção do Q. Se essa figura era chamada de Jesus é impossível dizer. O próprio documento Q sofreu uma evolução. Pode-se mostrar que o documento Q contém camadas de materiais diferentes, que aparentemente foram adicionados ao documento de tempos em tempos, e assim presume-se que o documento passou por revisões.
Os estudiosos modernos começam a reconhecer a grande divisão entre o mundo dos Evangelhos e o mundo das Epístolas. Eles postualm que o que aconteceu em resposta ao "ministério de Jesus" na Galiléia ficou separado do que ocorreu em resposta à "morte" dele em Jerusalém, já que as duas tradições aparentemente não têm nada em comum. O documento que supostamente relata a carreira de pregação de Jesus nas cidades e no campo de sua província natal (o documento "Q" espalhado em Mateus, Lucas e do evangelho de Tomé), não fala nada sobre ele ir a Jerusalém ou sobre o que teria ocorrido com ele lá. Não há referência à morte e ressureição e nem à figura de Jesus no papel de salvador. No outro lado da divisão, a mensagem "kerygma" (proclamação) de apóstolos como Paulo, que andavam pelo império pregando o Filho de Deus, não fala nada do ministério na Galiléia. As epístolas de Paulo não falam nada de ensinamentos, indicação dos apóstolos, nem detalhes biográficos do Cristo Jesus. Elas focam inteiramente no Filho Espiritual e a redenção pela morte sacrifical e ressurreição. As epístolas nunca falam de um contexto histórico terreno.
Um útimo passo deve ser dado. Ambos os lados da divisão devem ser separados totalmente, e considerados como tendo sido unidos artificialmente pela primeira vez no Evangelho de Marcos.
A tradição da Galiléia
Entre Jerusalém e a Galiléia existe uma distância de somente 120km. Não muito distante para um profeta intinerante viajar, especialmente se acompanhado de um grupo de seguidores. A jornada poderia ser realizada confortavelmente em poucos dias. Mas em toda a literatura da Tradição de Jerusalémnão se encontra nenhuma menção de Jesus ter feito esta jornada. Antes dos Evangelhos terem sidos adotados como história, nenhum texto jamais menciona ele ter ido a Jerusalém.
Na Galiléia havia um movimento que pregava o reino de Deus. Uma importante parte desse relato está no antigo e perdido documento "Q", que foi extraído por estudiosos modernos dos evangelhos de Mateus e Lucas, e que também aparece no Evangelho de Tomé. No momento em que a coleção de ditos e contos do documento Q foram incluídos aos evangelhos por Mateus e Lucas em cima do texto do Evangelho de Marcos, referências a uma figura que originou os ditos e contos, fazedor de milagres e profeta apocalíptico podiam ser encontrados naquela coleção do Q. Se essa figura era chamada de Jesus é impossível dizer. O próprio documento Q sofreu uma evolução. Pode-se mostrar que o documento Q contém camadas de materiais diferentes, que aparentemente foram adicionados ao documento de tempos em tempos, e assim presume-se que o documento passou por revisões.
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