Em 751 os árabes derrubaram o Império turco. Os árabes abalaram o império bizantino, destruíram o persa e fundaram o seu próprio. Somente Alexandre, o Grande, tinha conquistado territórios de extensão semelhante e com rapidez equivalente.
Os árabes injetaram na guerra uma força completamente nova, a força de uma idéia. Embrora os reis de Israel possam ter tirado força da velha promessa divina em suas guerras pequenas e locais, os cristãos da nova promessa se angustiariam durante séculos em torno da questão de saber se a guerra era moralmente permissível ou não. Com efeito os cristãos jamais encontraram unanimidade na crença de que o homem de guerra pode ser também um homem de religião; o ideal de martírio sempre foi tão forte quanto o de luta justificada e continua forte até hoje. Os árabes não estavam presos a esse dilema. Sua nova religião era um credo do conflito que ensinava a necessidade de submissão aos seus preceitos revelados e o direito de seus seguidores de pegar em armas contra os que se opunham a ele.
Maomé não era apenas um guerreiro, que fora ferido numa batalha de Medina contra Meca em 625. Ele pregava além de praticar a guerra. Estabeleceu que os muçulmanos eram irmãos e não deviam lutar entre si, mas deveriam lutar contra os outros homems até que dissessem "não há outro deus senão Alá".
De modo mais específico que Cristo, Maomé insiste que aqueles que aceitam a palavra de Deus formam uma comunidade (chamada umma) cujos membros são responsáveis uns pelos outros. Portanto deviam destinar uma renda para os irmãos menos afortunados.
Há pelo menos dois motivos para explicar a facilidade de suas primeiras vitórias. Primeiro, não há conflito no islamismo entre devoção e bem-estar material. Cristo, para grande perturbação moral de seus seguidores até hoje, considerava a pobreza um ideal sagrado. Maomé, ao contrário, fora comerciante, tinha uma compreensão aguda do valor da riqueza bem utilizada, esperava que a umma a acumulasse e julgava-a um meio de fazer o bem, tanto coletiva como individualmente. Em segundo lugar, o islã dissolveu os dois princípios pelos quais se costumava travar guerras anteriormente: território e parentesco. Não poderia haver territorialidade no islamismo, porque o seu destino era submeter o mundo todo à vontade de Deus. Islã significa submissão e "muçulmano", formado a partir da mesma palavra, alguém que está submetido a Deus.
Referência: John Keegan, "Uma história da guerra", ed. Companhia das Letras
sábado, 28 de junho de 2008
Festa gay no Vaticano
O Cardeal Francisco Maria del Monte morava em um palácio perto da Piazza Navona em Roma. Ele era amigo pessoal do Papa Clemente VIII e possuía uma fortuna, a qual ele gastava comprando arte. O palácio em que ele morava era tão importante que sediava o senado romano.
No ano de 1595 o cardeal contratou o pintor Caravaggio, o qual mudou-se para o palácio. Lá ele passou a pintar o tema favorito do cardeal: os seus amantes. Veja abaixo as pinturas do grande mestre, provas irrefutáveis do que ocorria dentro da Igreja já nos velhos tempos:
Este é "O menino mordido por um lagarto", um dos primeiros quadros de meninos efeminados de Caravaggio
Este quadro chama-se "Os músicos", pode-se ver vários meninos efeminados
Este quadro, "The lute player", foi motivo de discussão durante séculos, pois o menino andrógeno fora sempre confundido com uma mulher
Por fim Caravaggio pintou o amante favorito do cardeal no quadro chamado "Bacchus"
No ano de 1595 o cardeal contratou o pintor Caravaggio, o qual mudou-se para o palácio. Lá ele passou a pintar o tema favorito do cardeal: os seus amantes. Veja abaixo as pinturas do grande mestre, provas irrefutáveis do que ocorria dentro da Igreja já nos velhos tempos:
Este é "O menino mordido por um lagarto", um dos primeiros quadros de meninos efeminados de Caravaggio
Este quadro chama-se "Os músicos", pode-se ver vários meninos efeminados
Este quadro, "The lute player", foi motivo de discussão durante séculos, pois o menino andrógeno fora sempre confundido com uma mulher
Por fim Caravaggio pintou o amante favorito do cardeal no quadro chamado "Bacchus"
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Antropologia, Guerra, Estado e Religião
O problema dos clãs familiares
Teoria de Claude Levi-Strauss: Os antigos clãs puramente familiares tinham um problema: relações incestuosas geram crianças com problemas. Então para diminuir a "tensão sexual Freudiana" o homem das cavernas tinha duas opções: enviar as suas filhas e irmãs para outros clãs para poder obter mulheres de outros clãs em troca OU ir para guerra para poder pegar as mulheres dos outros clãs. Assim surgiu o mito do incesto. A religião criou uma de suas primeiras leis.
Os índios Ianomâmis
Os Ianomâmis são agricultores que fazem queimadas abrindo clareiras temporárias na floresta, cultivam até que a fertilidade do solo caia e partem para novas clareiras. As crianças são ensinadas a serem agressivas com jogos violentos. A troca de mulheres entre as tribos ameniza a ferocidade dos índios, mas muito frequentemente surgem guerras por causa de traições ou por causa de irmãs de índios que apanham do marido da outra tribo. É nesse momento que surge um novo mito, que controla a escalada da violência: inicialmente trava-se o duelo de batidas no peito, e se não for suficiente escala-se para a luta de porretes, a luta de lanças e a incursão à alteias com ataque de flechas. Os Ianomamis acreditam também que eles foram "foram a primeira, melhor e mais refinada forma de homem a habitar a Terra".
Os Marings
Os Marings são um povo da Nova-Guiné. A densidade populacional deles é dez vezes maior que a dos Ianomâmis. Observa-se nele a batalha ritualizada também, porém de forma muito mais impressionante. São organizadas a cada 10 anos batalhas campais com 2.000 homens onde se travam apenas algumas dezenas de duelos individuais. Os guerreiros iniciam o ritual gritando ofensas, e ativa flechas. O oponente esquiva-se e é elogiado pelas mulheres. Os golpes certeiros eram raros e quando alguém era seriamente ferido ou morto, as batalhas do dia eram interrompidas. Pode-se dizer que as batalhas tinham uma função de controle populacional. Quando ocorriam ofensas maiores podia haver uma escalada de violência para uma guerra "verdadeira" ou uma incursão e desbaratamento de tribo, com tomada de território. Nem sempre porém eles ocupavam o território inimigo, com medo de alguma feitiçaria ter deixado o território inseguro.
Os Maoris
Os Maoris são uma sociedade centralizada, teocrática, mas ainda não pode ser considerada um Estado primitivo. Suas chefias são descendentes dos deuses. A fonte de poder o chefe é dupla: o mana, seu dever sacerdotal de mediar entre homem e deus, e o tabu, seu direito de dedicar para fins religiosos uma porção de "frutos" para os deuses. Esses frutos poderiam ser um banquete, um sacrifício ou a construção de um templo, mas todos acarretavam em tributação e muitas vezes no controle do trabalho. As pressões populacionais fomentavam a guerra e o chefe ganhava mais poder. A guerra dos Maioris sempre seguia um padrão de "vingança" contra outras tribos. Eles também construíam fortificações, e a luta girava ao entorno delas.
A Guerra Verdadeira
Segundo o antropólogo Harry Turney-High: "somente quando uma sociedade passava da guerra primitiva para a guerra verdadeira poderia surgir um Estado, sendo o teste-chave o exército com oficiais". Antes disso porém as religiões já ditavam as regras.
Teoria de Claude Levi-Strauss: Os antigos clãs puramente familiares tinham um problema: relações incestuosas geram crianças com problemas. Então para diminuir a "tensão sexual Freudiana" o homem das cavernas tinha duas opções: enviar as suas filhas e irmãs para outros clãs para poder obter mulheres de outros clãs em troca OU ir para guerra para poder pegar as mulheres dos outros clãs. Assim surgiu o mito do incesto. A religião criou uma de suas primeiras leis.
Os índios Ianomâmis
Os Ianomâmis são agricultores que fazem queimadas abrindo clareiras temporárias na floresta, cultivam até que a fertilidade do solo caia e partem para novas clareiras. As crianças são ensinadas a serem agressivas com jogos violentos. A troca de mulheres entre as tribos ameniza a ferocidade dos índios, mas muito frequentemente surgem guerras por causa de traições ou por causa de irmãs de índios que apanham do marido da outra tribo. É nesse momento que surge um novo mito, que controla a escalada da violência: inicialmente trava-se o duelo de batidas no peito, e se não for suficiente escala-se para a luta de porretes, a luta de lanças e a incursão à alteias com ataque de flechas. Os Ianomamis acreditam também que eles foram "foram a primeira, melhor e mais refinada forma de homem a habitar a Terra".
Os Marings
Os Marings são um povo da Nova-Guiné. A densidade populacional deles é dez vezes maior que a dos Ianomâmis. Observa-se nele a batalha ritualizada também, porém de forma muito mais impressionante. São organizadas a cada 10 anos batalhas campais com 2.000 homens onde se travam apenas algumas dezenas de duelos individuais. Os guerreiros iniciam o ritual gritando ofensas, e ativa flechas. O oponente esquiva-se e é elogiado pelas mulheres. Os golpes certeiros eram raros e quando alguém era seriamente ferido ou morto, as batalhas do dia eram interrompidas. Pode-se dizer que as batalhas tinham uma função de controle populacional. Quando ocorriam ofensas maiores podia haver uma escalada de violência para uma guerra "verdadeira" ou uma incursão e desbaratamento de tribo, com tomada de território. Nem sempre porém eles ocupavam o território inimigo, com medo de alguma feitiçaria ter deixado o território inseguro.
Os Maoris
Os Maoris são uma sociedade centralizada, teocrática, mas ainda não pode ser considerada um Estado primitivo. Suas chefias são descendentes dos deuses. A fonte de poder o chefe é dupla: o mana, seu dever sacerdotal de mediar entre homem e deus, e o tabu, seu direito de dedicar para fins religiosos uma porção de "frutos" para os deuses. Esses frutos poderiam ser um banquete, um sacrifício ou a construção de um templo, mas todos acarretavam em tributação e muitas vezes no controle do trabalho. As pressões populacionais fomentavam a guerra e o chefe ganhava mais poder. A guerra dos Maioris sempre seguia um padrão de "vingança" contra outras tribos. Eles também construíam fortificações, e a luta girava ao entorno delas.
A Guerra Verdadeira
Segundo o antropólogo Harry Turney-High: "somente quando uma sociedade passava da guerra primitiva para a guerra verdadeira poderia surgir um Estado, sendo o teste-chave o exército com oficiais". Antes disso porém as religiões já ditavam as regras.
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