Outro dia ouvi o seguinte comentário: "Mas se eu deixar de acreditar em Deus, qual vai ser o sentido da minha vida?"
Essa pergunta resume de certa forma a grande mudança de perspectiva que ocorre quando você deixa de acreditar, de ter fé. A seguir, elenco alguns dos paradigmas com os quais você vai se encontrar ao entrar para o ateísmo:
1- Eu não vou acreditar em mais nada? Sua mudança não precisa ser abrupta. Uma forma mais "leve" de ateu é o Agnóstico. A pessoa agnóstica acredita que Deus é um conceito muito complexo e distante para o ser humano compreender, portanto não perca seu tempo tentando encontrá-lo. Deixe isso para o dia em que você morrer, pois pode ser até que Deus nem exista.
2- E a justiça divina, que me dava esperança de punição para os crimes impunes? Lamento, isso vai ficar faltando. É uma boa oportunidade para você começar a cobrar ações mais concretas do sistema jurídico, do governo, etc.
3- E os benefícios divinos que eu esperava receber por amar ao próximo? Você já não recebia nenhum benefício divino mesmo. As pessoas se ajudam mutuamente pois possuem interesses, espectativa de retorno pela ajuda prestada. Isso não leva à desordem social. O seu cérebro normalmente já vem equipado com uma função psicológica chamada Superego, que permite que você conviva em sociedade pois ele segura os impulsos egoístas do seu ID. Isso garantiu ao ser humano uma sobrevivência mais eficiente devido ao convívio em grupo.
4- Quer dizer que eu não preciso mais buscar a redenção dos meus pecados, o arrependimento sincero? Não. Fazer sexo não é pecado, mas não significa que você vai "liberar" pra todo mundo, pois isso no mínimo pode ofender o seu "namorado/a" e no máximo pode levar você a pegar AIDS. Se for liberar, use camisinha. Masturbação não é pecado. Gula não é pecado. Resumindo: Não existe pecado, isso foi um conceito criado para manipular as pessoas. Agora, se você matar alguém, esteja preparado para lidar com a polícia. Infelizmente no Brasil, se você for réu primário, é capaz até de você não ir para a cadeia. De novo, cobre mais o sistema jurídico.
5- E a cura divina das doenças? Freud explica algumas delas.
6- E se eu perder a esperança na vida? Procure um psicólogo, mas de preferência um que não seja cristão, que tenha os pés no chão. Se não der certo, procure um psiquiatra que vai te receitar remédios. Se isso também não der certo, mude de cidade, largue o seu relacionamento ruim, arrume outro emprego, faça outras coisas. Se também não der certo, o suicídio pode ser a saída, mas por favor pule de um andar acima do oitavo para garantir que vai dar certo e também garanta que você não vai acertar ninguém lá em baixo.
Em resumo, o sentido da vida é você poder fazer o que você gosta e sem estress, senão ela perde o sentido bem rapidamente.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Falsas provas da existência de Jesus criadas pela Igreja
Na época de Jesus viveram 40 historiadores diferentes, e nenhum deles jamais menciona a existência dele.
Fora da Bíblia, só existem 4 citações sobre Jesus feitas por escritores da antiguidade, todas elas falsificações criadas pela Igreja.
As 4 citações são de Josephus, Plinio, Tacitus e Suetonius.
Josephus escreveu vários livros, porém neles existem somente 2 parágrafos sobre Jesus. Os parágrafos estão fora do contexto, ou seja, não fazem sentido. Acredita-se que o Bispo Eusébio adicionou as frases ao texto de Josephus.
Plinio supostamente escreveu uma carta para Trajano descrevendo Jesus, mas já se provou que a carta é falsa.
Tacitus viveu no ano 200 D.C., portanto não podia ter conhecido Jesus pessoalmente e o seu livro também foi alterado.
O historiador Suetonius se refere a alguém chamado Chrestus, que viveu em Roma e era mencionado por escravos libertos.
Referencia: http://www.truthbeknown.com/origins2.htm
Fora da Bíblia, só existem 4 citações sobre Jesus feitas por escritores da antiguidade, todas elas falsificações criadas pela Igreja.
As 4 citações são de Josephus, Plinio, Tacitus e Suetonius.
Josephus escreveu vários livros, porém neles existem somente 2 parágrafos sobre Jesus. Os parágrafos estão fora do contexto, ou seja, não fazem sentido. Acredita-se que o Bispo Eusébio adicionou as frases ao texto de Josephus.
Plinio supostamente escreveu uma carta para Trajano descrevendo Jesus, mas já se provou que a carta é falsa.
Tacitus viveu no ano 200 D.C., portanto não podia ter conhecido Jesus pessoalmente e o seu livro também foi alterado.
O historiador Suetonius se refere a alguém chamado Chrestus, que viveu em Roma e era mencionado por escravos libertos.
Referencia: http://www.truthbeknown.com/origins2.htm
terça-feira, 23 de outubro de 2007
O kit de detecção de mentiras
O famoso físico cético americano Carl Sagan escreveu uma obra importante sobre o ceticismo chamada "O mundo assombrado pelos demônios" - editora Companhia das Letras. Nesta obra, o capítulo 12 intitulado "A arte refinada de detectar mentiras" é dedicado a métodos para desmascarar charlatanices em geral. Abaixo faço um resumo do que ele apresenta.
Ferramentas que devemos usar:
- Tentar obter confirmações independentes dos fatos apresentados.
- Fazer debate sobre evidências com representantes de todos os pontos de vista.
- Não confiar puramente na opinião de "autoridades".
- Considerar mais de uma hipótese de explicação, pensar em testes para invalidar cada hipótese; a hipótese que sobreviver aos testes é a mais provável de ser verdadeira.
- Não ficar ligado a uma hipótese somente porque foi sua idéia. Aproveite e verifique porquê você gosta dessa hipótese.
- Quantificar e comparar. O que é somente qualitativo é susceptível a muitas explicações.
- Se há uma cadeia de argumentos, todos devem funcionar, inclusive a premissa.
- A navalha de Occam: Escolha a mais simples de duas hipóteses que explique os dados com a mesma eficiência.
- Pergunte se a hipótese poderia ser, pelo menos em princípio, falseada.
- Experimentos de controle também são essenciais, por exemplo os placebos.
- As variáveis de teste devem ser separadas. Se você tomar 2 remédios para enjôo e melhorar, como saberá se ambos funcionaram e em quais proporções?
- Usar o método duplo-cego: a veracidade pode ser comprometida se você tem interesse que algo seja provado, você pode influenciar no resultado mesmo incoscientemente.
Agora veja onde não devemos tropeçar - a lista das falácias (erros de argumentação, mentiras ou "métodos avançados de advocacia picareta") mais comuns da lógica e da retórica :
- Ad hominem. Ocorre quando atacamos o argumentador e não o argumento.
- Argumento de autoridade: confiar cegamente na opinião de autoridades.
- Argumento das consequências adversas. Por exemplo: "Deve existir um Deus que confere castigo e recompensa, porque se não existisse, a sociedade seria muito mais desordenada e perigosa". Como saber?
- Apelo à ignorância: afirmação de que qualquer coisa que não se provou como falsa deve ser verdade e vice-versa.
- Alegação especial. Exemplo: "Como um Deus misericordioso castigou todas as gerações porque Adão comeu uma fruta? - Alegação especial: Você não compreende a doutrina sutil do livre-arbítrio".
- Petição de princípio. Por exemplo: "A bolsa de valores caiu por causa de realização de lucro." Parte-se do princípio que a realização de lucro sempre faça a bolsa cair?
- Seleção das observações. Como o filósofo Francis Bacon disse: contar os acertos e esquecer os fracassos.
- Estatística dos números pequenos. "Dizem que 1 em cada 5 pessoas no mundo é chinesa, mas eu conheço centenas de pessoas e nenhuma é chinesa."
- Compreensão errônea da estatística. "O presidente ficou surpreso ao descobrir que metade das pessoas têm inteligência abaixo da média."
- Incoerência. Por exemplo: Adimitir razoável que o Universo possa existir para sempre no futuro mas absurdo que tenha tido duração infinita no passado.
- Non sequitur - ou "não se segue". Exemplo: "Nosso time vencerá porque Deus é grande". O pior é que todos os times pensam a mesma coisa.
- Post hoc, ergo propter hoc - significa "Se aconteceu depois de um fato, logo foi por ele causado".
- Pergunta sem sentido. Por exemplo "O que acontece se uma força irresistível encontra um objeto imóvel?"
- Exclusão do meio termo. Por exemplo "Ame seu país ou deixe-o."
- Curto-prazo contra longo-prazo. Por exemplo: "Porque investir em ciência se temos pessoas passando fome?".
- Declive escorregadio com exclusão do meio-termo. Exemplo: "Se permitirmos o aborto nas primeiras semanas de gravidez será impossível impedir o assassinato de um bebê no final da gravidez."
- Confusão de correlação e causa.
- Caricaturar uma posição para facilitar o ataque.
- Evidência suprimida ou meia-verdade. Exemplo: Profecias apresentadas depois que aconteceu.
- Palavras equívocas. Por exemplo: políticos trocam os nomes de instituições que com seus nomes antigos se tornaram odiosas para o público.
Ferramentas que devemos usar:
- Tentar obter confirmações independentes dos fatos apresentados.
- Fazer debate sobre evidências com representantes de todos os pontos de vista.
- Não confiar puramente na opinião de "autoridades".
- Considerar mais de uma hipótese de explicação, pensar em testes para invalidar cada hipótese; a hipótese que sobreviver aos testes é a mais provável de ser verdadeira.
- Não ficar ligado a uma hipótese somente porque foi sua idéia. Aproveite e verifique porquê você gosta dessa hipótese.
- Quantificar e comparar. O que é somente qualitativo é susceptível a muitas explicações.
- Se há uma cadeia de argumentos, todos devem funcionar, inclusive a premissa.
- A navalha de Occam: Escolha a mais simples de duas hipóteses que explique os dados com a mesma eficiência.
- Pergunte se a hipótese poderia ser, pelo menos em princípio, falseada.
- Experimentos de controle também são essenciais, por exemplo os placebos.
- As variáveis de teste devem ser separadas. Se você tomar 2 remédios para enjôo e melhorar, como saberá se ambos funcionaram e em quais proporções?
- Usar o método duplo-cego: a veracidade pode ser comprometida se você tem interesse que algo seja provado, você pode influenciar no resultado mesmo incoscientemente.
Agora veja onde não devemos tropeçar - a lista das falácias (erros de argumentação, mentiras ou "métodos avançados de advocacia picareta") mais comuns da lógica e da retórica :
- Ad hominem. Ocorre quando atacamos o argumentador e não o argumento.
- Argumento de autoridade: confiar cegamente na opinião de autoridades.
- Argumento das consequências adversas. Por exemplo: "Deve existir um Deus que confere castigo e recompensa, porque se não existisse, a sociedade seria muito mais desordenada e perigosa". Como saber?
- Apelo à ignorância: afirmação de que qualquer coisa que não se provou como falsa deve ser verdade e vice-versa.
- Alegação especial. Exemplo: "Como um Deus misericordioso castigou todas as gerações porque Adão comeu uma fruta? - Alegação especial: Você não compreende a doutrina sutil do livre-arbítrio".
- Petição de princípio. Por exemplo: "A bolsa de valores caiu por causa de realização de lucro." Parte-se do princípio que a realização de lucro sempre faça a bolsa cair?
- Seleção das observações. Como o filósofo Francis Bacon disse: contar os acertos e esquecer os fracassos.
- Estatística dos números pequenos. "Dizem que 1 em cada 5 pessoas no mundo é chinesa, mas eu conheço centenas de pessoas e nenhuma é chinesa."
- Compreensão errônea da estatística. "O presidente ficou surpreso ao descobrir que metade das pessoas têm inteligência abaixo da média."
- Incoerência. Por exemplo: Adimitir razoável que o Universo possa existir para sempre no futuro mas absurdo que tenha tido duração infinita no passado.
- Non sequitur - ou "não se segue". Exemplo: "Nosso time vencerá porque Deus é grande". O pior é que todos os times pensam a mesma coisa.
- Post hoc, ergo propter hoc - significa "Se aconteceu depois de um fato, logo foi por ele causado".
- Pergunta sem sentido. Por exemplo "O que acontece se uma força irresistível encontra um objeto imóvel?"
- Exclusão do meio termo. Por exemplo "Ame seu país ou deixe-o."
- Curto-prazo contra longo-prazo. Por exemplo: "Porque investir em ciência se temos pessoas passando fome?".
- Declive escorregadio com exclusão do meio-termo. Exemplo: "Se permitirmos o aborto nas primeiras semanas de gravidez será impossível impedir o assassinato de um bebê no final da gravidez."
- Confusão de correlação e causa.
- Caricaturar uma posição para facilitar o ataque.
- Evidência suprimida ou meia-verdade. Exemplo: Profecias apresentadas depois que aconteceu.
- Palavras equívocas. Por exemplo: políticos trocam os nomes de instituições que com seus nomes antigos se tornaram odiosas para o público.
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